Em uma obra complexa, algumas decisões podem esperar. Outras, não.
O desafio da boa gestão está justamente em saber diferenciar uma coisa da outra. Não tratar tudo como emergência nem tratar tudo como adiável e acumular.
Uma definição que parece pequena durante o projeto pode se tornar muito mais cara algumas semanas depois. A escolha de um equipamento, a posição de um ponto elétrico, a especificação de um acabamento ou a aprovação de determinada solução podem interferir diretamente em etapas que já estão sendo executadas.
É comum que algumas decisões sejam reconsideradas ao ver a reforma em andamento, o que pode causar impactos.
O custo de uma decisão adiada na obra
Quando essa decisão chega tarde, as alternativas diminuem. Aquilo que antes poderia ser resolvido com um ajuste de projeto pode exigir a alteração de uma instalação já pronta.
Uma compra programada pode se transformar em aquisição emergencial. Uma pequena mudança pode gerar retrabalho, mobilizar novamente fornecedores ou comprometer o cronograma de outras etapas.
Decisões têm um momento adequado
É por isso que costumo enxergar determinadas decisões como tendo um “prazo de validade” dentro da obra. Não significa que tudo precise ser decidido com pressa.
Decidir rápido, sem informação suficiente, também pode gerar problemas.
Como funciona o cronograma de decisão
O importante é identificar quais definições possuem impacto crítico no cronograma e garantir que o cliente, o arquiteto, os projetistas e a equipe de execução tenham as informações necessárias antes que a própria evolução da obra reduza as possibilidades de escolha. Na minha construtora, fazemos um cronograma de decisão após o cronograma de execução e distribuímos ao arquiteto, aos projetistas e aos clientes. Nele, indicamos os limites para decidir sem gerar custos excessivos ou comprometer os prazos.
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Falar no WhatsAppPor exemplo, novas tomadas devem ser solicitadas antes do emassamento das paredes. Essa antecipação declarada faz parte de uma condução bem planejada.
Assim, todos conhecem os prazos e as consequências de cada definição.
O papel do engenheiro na antecipação
A partir disso, o Engenheiro responsável organiza reuniões no momento certo, reforça as informações do cronograma de decisão, acompanha as interfaces entre os serviços, alerta sobre decisões que se aproximam e apresenta alternativas antes que o problema esteja instalado. Assim, o cliente/arquiteto(a) não é pressionado a decidir tudo de uma vez.
É conduzido para tomar cada decisão no momento em que ainda existem boas opções disponíveis. Na prática, gerir uma obra não é apenas controlar aquilo que já está sendo executado.
É também proteger o cronograma e o orçamento das consequências de decisões que chegaram tarde demais.
Leia também: Quem decide o quê na obra? A governança que evita paralisia e retrabalho!.
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